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03 setembro 2019

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Não te vi fugir. Não foste o desertor que se funde com a paisagem até se tornar fumo e névoa. Não foste o verbo da ausência nem a casa de porta encostada. Foste a vida em modo promessa, viver agora o que queremos viver depois, a antecipação do amor. Foste a fotografia envelhecida na moldura, o nome que herdaram os que vieram depois de ti. Foste o propósito e a consequência, o silêncio entre palavras, sempre maiores os intervalos do que as permanências. Foste a história contada sem artefactos e todos os beijos que ficaram por dar. Nunca te entendi.

1 comentário:

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