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02 setembro 2019

Ano novo

Para mim, hoje é ano novo.

Apesar do calor, apesar de ainda poder desligar a ficha aos bocadinhos e aproveitar praia e passeios, Setembro é sempre o meu mês de recomeço. Em Janeiro traço sempre metas novas, mas é em Setembro que me sinto com forças para começar de novo. Para este ano, há muita coisa na calha e que quero fazer acontecer. (Aviso à navegação: não estruturei este post antes de o escrever, por isso não estranhem se virem alhos misturados com bugalhos... mas vou escrever conforme me for saindo.)

Vamos por assuntos...

Eu:
Tive de fazer aqui alguns exercícios de "descentralização" e de perceber o que é para manter e o que é para mudar. Percebi que as minhas inseguranças são mind games da minha própria cabeça e que não têm grande razão de ser. Eu, perfeccionista exímia, estou a tentar deixar-me de perfeições. Nunca vou ser perfeita. Ponto. Ainda hoje vinha no carro e, ao ver-me ao espelho, pensei em como não gosto nada do meu nariz. E imediatamente pensei que não há nada a fazer e que, mesmo que houvesse, não faria. Sou eu. Eu sou assim. Não tenho um nariz perfeito. E? 

Às vezes, esta mania de não fazer se não for para fazer perfeito faz com que faça bem menos do que quero e do que sou capaz. Por isso, quero deixar-me definitivamente desta busca infrutífera pela perfeição e quer fazer o que me for possível. Não consigo ir treinar cinco dias? Vou quatro. Não consigo ler três livros? Leio dois. Não consigo escrever 500 palavras por dia? Escrevo 200. O que for. O que der. Preciso de aliviar a pressão que ponho em cima de mim mesma e de não congelar quando acho que não vai ser perfeito. quero aprender a fazer e a aperfeiçoar a seguir, se for caso disso. 

Casa:
Ando há algum tempo a destralhar aos poucos. Quero viver num sítio mais bonito e o lixo tira a beleza a tudo. Portanto, quero deitar fora o que não serve para nada, quero limpar e reorganizar, quero viver com ainda menos tralha. A minha sala foi o tubo de ensaio disto. Ou melhor: está a ser. Ainda me falta abrir gavetas e despejar arquivo morto, que não serve para nada além de acumular pó.

Filhos:
Quero mais tempo com eles e melhor tempo com eles. Parece um cliché? Paciência. É disto que preciso. Sinto-os a chegar a uma idade em que já podemos fazer mais coisas juntos, sem que nenhum de nós apanhe seca - é que, disse-o desde sempre, eu não gosto de brincar. Ponham-me a ler livros ou a fazer legos, mas brincar não é mesmo a minha cena. Quero levá-los a sítios novos, quero que conheçam museus e histórias, que conheçam as nossas cidades, que saibam de onde vêm. 

Escrever:
Continuo a querer muito editar o meu primeiro livro. Está entregue e já não depende de mim, mas o mais certo é ter de voltar a ele para reescrever algumas coisas. Se isso acontecer, é muito bom sinal.

Além disso, tenho o segundo livro para escrever. Sinto que ainda não encontrei a linha deste livro, mas sei a história que quero escrever, sei que caminho quero seguir. Preciso de estruturar capítulos, para não me sentir perdida cada vez que estou uma semana sem lhe pegar. Ah, e não quero estar uma semana sem lhe pegar. Idealmente, acabo de o escrever em Março. É um objectivo ambicioso, mas não quero pensar já que não vou conseguir. Aliás, como em tudo na vida, o não é garantido, portanto, quero tentar chegar ao sim!

Pintar:
Pintar tem sido o meu verdadeiro momento de descompressão. Esqueço-me do telefone, do computador, dos livros... de tudo. Estou ali e estou mesmo só ali. Não consigo isto com mais nada (bem, consigo quase a mesma coisa com o Bullet Journal, mas já lá vamos). Quero fazer uma ou duas séries, que porei à venda. Vou fazer marcadores de livros e pequenas ilustrações, e isto é coisa que vai sair muito em breve, ainda em Setembro.

Dançar:
Não sei se vou continuar nas aulas de dança. Cansei-me um bocadinho dos ambientes - sempre as mesmas pessoas, sempre as mesmas músicas, sempre o mesmo... tudo. Precisei de me retirar e tem-me sabido bem estar mais sossegada. Não me apetece ir para uma dança nova (nada de salsas e de bachatas por aqui!), mas não sei mesmo se quero manter-me por ali. No ano passado, por esta altura, andava a fazer as aulas experimentais todas que apanhava. Este ano, só devo fazer as do meu professor e é se não tiver nada mais importante combinado. E não, não deixei de gostar de dançar. Estou só cansada da repetição.

Blogar:
Quero mesmo voltar aqui regularmente. Há uns tempos, achei que não tinha nada de interessante para partilhar. Não sou uma montra de prémios, não tenho agências por trás de mim, não quero monetizar o que escrevo. Agora olho para tudo o que quero que o meu ano novo seja e acho que tenho muito para partilhar, sim. Não ambiciono milhões de leitores, gosto de saber que os meus leitores estão aqui porque gostam mesmo do que eu escrevo - e há muitos que estão aqui há 16 anos. Claro que adorava que um blog sem nenhuma vertente comercial se tornasse super lido mas sou realista e sei que o mais provável é que não aconteça. E não faz mal. Poucos mas bons! Muito bons mesmo!

E pronto... este é o meu plano assim mais imediato. É aqui que aposto as minhas ficha, é nisto que invisto a minha energia. Como quero que haja um fio condutor por aqui, decidi que vou fixar mais ou menos o que publico pelos dias da semana. Assim, à segunda falarei sobre coisas mais ou menos random (tanto posso fazer um wrap-up do fim-de-semana como falar de qualquer coisa que ache que valha a pena - como estou a fazer agora, por exemplo); a terça é o dia dedicado à ficção (vão ver por aqui algumas short-stories, eventualmente voltarei ao One Red Crow - já tenho tantas saudades das fotografias do João!); a quarta é dia de falar sobre pessoas: sentimentos, experiências, entrevistas, etc.; à quinta, já com um pé no fim de semana, vou explorar uma veia que vou mantendo mais ou menos sossegada, mas que anda a querer saltar cá para fora - a do humor; e à sexta é dia de sugestões: filmes, livros, séries, sítios, músicas, o que for.

Entretanto, cancelei a minha conta de Facebook, pelo que deixei de ter o meio veículo de divulgação do que escrevo aqui: muitos dos meus leitores vinham via link do Face. Vou usar o Instagram como plataforma de "aviso de post novo", por isso, se ainda não me seguem por lá, por favor... carreguem no botãozinho!! 

A fechar, desejo-vos a todos um regresso maravilhoso... que seja um tempo de renovação e de muita muita paz! 

2 comentários:

  1. Bem miúda, não há muito a acrescentar sobre o assunto, sempre senti Setembro também como O verdadeiro recomeço, com a devida calma e estrutura. Do que te conheço, a questão do perfeccionismo atormenta-te há demasiado tempo. Done is better than perfect, vai fazendo, alivia a pressão e tudo vai correr pelo melhor. Basta ver o que aconteceu com as aguarelas, fizeste sem objectivos claros e definidos e agora evoluíste tão rapidamente, estás a querer vender, e é lindo! Dás os passos pequenos sem pensar onde tens (ou deves) chegar com eles. E quanto à publicação do livro... como gostava que acontecesse. Há pouco tempo pensei em reler, tive saudades das personagens e da história... e quando mostraste os cenários nas stories há uns tempos só queria refrescar a memória e encontrar as personagens nas imagens que partilhaste... :)
    Que seja um mês frutífero. Estarei atenta a essas novidades.

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  2. Fico a aguardar as novidades nomeadamente as que têm a ver com a pintura e com a escrita.

    Já vi que ressuscitaste os contos de 100 palavras. :D
    Compreendo que é algo que te dá trabalho mas é das tuas rubricas que mais gostei de sempre!

    Beijos e bom "inicio de ano"

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Obrigada!