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29 outubro 2019

Outra vez arroz: publicidade em blogs e afins

Nota prévia: não tenho a mínima pachorra para virgens ofendidas. 

De vez em quando estala assim uma polémica que, se as pessoas pensassem um bocadinho, não tinha razão nenhuma de ser. Ontem calhou-me a mim. Vi, numa conta de Instagram que seguia (atenção ao tempo verbal), uma coisa que me pareceu outra vez arroz: publicidadezinha disfarçada. Peguei naquilo e, do alto da minha conta super seguida (2607 seguidores agora, sendo que ontem por esta hora eram 2582), portanto uma coisa hiper relevante, como está bom de ver, decidi assinalar a ocorrência. E a autora do post reagiu. Ofendidíssima porque toquei na ferida. Diz a moça que desde que, em Março deste ano, saiu um manual de normas de boas práticas de publicidade nas redes sociais, tem seguido as directrizes. Repito: Março de 2019. 

Ora, a primeira vez que eu toquei neste assunto - e se não fui a primeira a fazê-lo, andei muito perto disso -, foi em 2012. Há SETE anos. Aqui está o post. O que disse na altura é o que digo hoje e foi o que disse sempre: assinale-se a publicidade TODA que se faz. Honestidade e transparência não me parecem conceitos assim tão alienígenas, mas posso estar errada.

Entre 2012 e Março deste ano, não precisei de merda de manual de boas práticas nenhum. Bastou-me ética e bom senso. E não tenho MESMO telhados de vidro. Tudo o que aqui chegou via oferta ou convite foi sempre devidamente assinalado e explicado. Não houve um caso sequer em que eu tenha assobiado para o ar e fingido que não estava a usar/fazer qualquer coisa a que tive acesso por via publicitária.

Quando me deparo com sítios onde a prática comum é o encapotamento, é natural que questione. Não como gelados com a testa, lamento.

Cada vez menos tenho pachorra para gente que vive atrás de véus. Não entendo, como não entendia em 2012, a necessidade de disfarçar, de fingir que é tudo muito real e sentido. Quando a mesma pessoa adora sete marcas de shampoo com mês e meio de diferença, algo se passa. Querem vender espaço publicitário? Vendam. Mas não finjam que não estão a fazê-lo. Simples. É, repito, uma questão de ética e de bom senso. E se as pessoas fossem sérias e honestas, não era preciso haver um manual de boas práticas a delimitar a coisa. 

(E lá no meio daquilo, a senhora decide classificar-me como "pseudo-blogger". Pseudo-blogger, o caralhinho. Blogger mesmo. Há 16 anos, 4 meses e 3 dias. Sem me vender, sem vender os meus filhos, sem vender a alma ao diabo e, last but not least, sem vender a minha dignidade e a minha honestidade. Porque, para mim, valem muito mais os tais 2600 seguidores no Instagram e as 400 ou 500 pessoas que me lêem aqui - e que me seguem há anos e anos e já sabem do que a casa gasta - do que ser seguida por 50 mil pessoas apenas e só porque me vendi pelo caminho. )

5 comentários:

  1. Palmas para ti miúda. Não resisti e falei disto na minha página de FB do blogue. Sei que já não tens mas podes sempre ler. Estou contigo!

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  2. Parabéns pela frontalidade, gosto muito de si, também por isso

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  3. E uma salva de palmas.
    Gosto de ti também por isto, pelos caralhinhos e afins.

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  4. Há uns tempos deparei-me com uma blogger que numa segunda de manhã fez meia dúzia de posts publicitários (contraditórios entre si) sem qualquer menção de publicidade.
    Comentei mostrando desagrado… obviamente que fui insultada do pior pelos seguidores e à moça só faltou chamar-me invejosa com todas as letras.
    Passo seguinte: fiz exercício da minha opção de escolha. Não há pachorra para aturar divas.

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Obrigada!