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18 novembro 2019

"A Noite Em Que o Verão Acabou" ou um dos melhores livros de 2019, a mês e meio do ano acabar



Prólogo

Este homem é um fenómeno. Em Março lança "A Mulher Que Correu Atrás do Vento": 400 e tal páginas de angústias, de quatro mulheres cheias de novelos, de muitas questões existenciais, daquelas que tocam no nervo. Em Novembro lança este livro: 667 páginas de um crime tão, mas tão bem montado, senhores...


5 de Novembro de 2019, Sintra

Corro para uma livraria. O livro ainda não chegou. Naquela cadeia, em Lisboa e arredores, só está disponível numa loja (demasiado longe para que vá até lá). Quinze quilómetros depois, numa loja de outra cadeia, o livro já chegou mas ainda está em paletes. Peço que me arranjem um exemplar. Pago. No carro, leio as primeiras linhas. Cinco quilómetros. Num semáforo vermelho, leio mais um pouco. 


7 de Novembro de 2019, Lisboa

Chego à apresentação do livro com 128 páginas lidas. Mais tempo houvesse. Chego cedo. Consigo cumprimentar o João antes de começar a apresentação. Falamos sobre o livro dele. E sobre o meu. O meu mentor (que será sempre o meu ídolo, a minha luz de farol), está prestes a receber no "clube" uma nova colega. Falamos sobre isto de fazer apresentações de livros. Estou no céu. 

A apresentação começa. A Clara Capitão é a editora que mais paz transmite. Está ali, meses e meses de trabalho árduo em cima, dois livros editados em meia dúzia de meses e ela naquela tranquilidade de quem sabe que apostou novamente no cavalo certo.

Francisco José Viegas. Conheço da TV, dos blogs, do Twitter. Não conheço da escrita. Abre a boca e eu entro num vórtice. De repente, já não estou numa apresentação de um livro, mas sim num aula de escrita de thrillers e policiais. E eu, que sou incapaz de catalogar o meu livro, que é tanta coisa não sendo, de caras, coisa nenhuma de fronteiras definidas, percebo isto como um soco no estômago: sem querer, sem pensar nisso, sem fazer por isso, a gaveta onde o meu livro cabe é a minha gaveta preferida. Sem querer, sem fazer por isso e sem ter essa intenção, escrevi um thriller. Wow.

Volto à apresentação. Se não tivesse já a certeza de que queria ler este livro, esta apresentação teria tratado disso. A maneira com o Francisco José Viegas nos faz navegar no livro sem nos estragar a leitura e sem que possamos já sair dela é magistral. Avanço: a caminho do Metro, pesquiso livros dele porque é um autor que agora quero muito ler. 

Recuo: João Tordo e Clara Capitão, a editora, não se entendem acerca do número de livros que ele escreveu. Também não sei. Sei que os tenho todos autografados. Este é mais um. E, entre as palavras do João, o toque de humildade que o faz tão humano, tão nosso, tão igual a nós: "bem-vinda ao 'clube'". (Está quase, caramba...)

Avanço: continuo a ler. Sempre que posso. Tento chegar à resolução dos crimes, ao cerne da questão, ao culpado, a quem fez o quê. Não consigo. Está tudo demasiado bem escondido. E demasiado bem montado.


18 de Novembro de 2019, Lisboa

Chego ao trabalho. Preparo o pequeno-almoço, como faço sempre. Estou a dez páginas do desenlace. Que se lixe. Leio. Página 667: "Mas o que eu lhe quero dizer é: 'Vai. Não tenhas medo.'" 
Fecho o livro. Respiro fundo. Que viagem... (Review aqui.)

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