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04 dezembro 2019

Doze

A minha filha fez doze anos e eu estou a processar.

Esqueçam cólicas, noites sem dormir, birras de mil diabos. Esqueçam isso tudo. Isso é facílimo. A walk in the park. Fodido, realmente fodido, é lidar com a adolescência. Não há sequer comparação. Mesmo. E lamento não dourar a pílula e não vir para aqui dizer que está a ser óptimo. Não está. São desafios constantes. São braços de ferro diários. Somos nós a querer mantê-los num caminho mais ou menos seguro e saudável e são eles a quererem saltar a cerca. Faz parte. Eu sei. Been there. Acontece que a minha cerca era electrificada e eu sabia mesmo que não me podia esticar. Esta acha que está à vontadinha. Não está.

Obviamente, há coisas fabulosas nisto de ela ter doze anos. Já não tenho de lhe limpar o rabo. Sobrevive sem eu intervir de hora a hora. Colabora mais em casa (sob coação). Conseguimos conversar sobre mais assuntos. 

Vejo nela muito de mim e consigo antecipar as lutas que ela vai ter, porque eu também já as tive. Somos muito diferentes e, ao mesmo tempo, somos demasiado iguais. Coitada, herdou o melhor e o pior de mim. Mea culpa.

Eu adorava ser a mãe fofinha da parentalidade positiva e o camandro. Não sou. Sou a mãe exausta, que leva tudo às costas. Sozinha. Valem-me os meus pais, que me ajudam mais do que deviam, mais do que mereciam. Sem eles, eu já estaria com uma pedra por cima e um bonito "Aqui jaz uma mãe que não aguentou mais", ao lado de uma fotografia qualquer. 

Estes doze anos foram maravilhosos. Mas, confesso, estou muito ansiosa por vê-la com 30 anos e já livre destes dramas adolescentes todos. Mesmo que isso signifique que eu tenha 58 anos e os pés para a cova.

Doze anos. Ouch...

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