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14 fevereiro 2020

Escritora


Para mim, um escritor é alguém que escreve livros e os publica. Ou era. 

Há escritores que, sendo escritores, não escrevem (e por cá temos um ou outro que, na verdade, recorrem a ghost-writers - que são pessoas que escrevem efectivamente o que será assinado por outras. A título de exemplo: James Patterson, um famoso e muito profícuo escritor americano, já só delineia os plots dos seus livros, que depois são escritos por outras pessoas - e só assim consegue publicar 15 livros num ano, como já aconteceu). 

E depois, há pessoas que, escrevendo imenso, não são escritores. Ou melhor, são. Eu é que ainda não encaixei a ideia.

Escrevo desde os 10 anos. Sempre escrevi imenso. Tenho fases mais produtivas do que outras (agora, por exemplo, estou numa espécie de deserto de escrita há demasiado tempo), mas vou sempre escrevendo. Tenho um livro em vias de ser editado. E ainda me custa pensar que sou escritora. Mas sou.
Não me assumir como escritora tira-me a pressão de escrever, que é coisa que me tem dado jeito em alturas de pouca fluidez de escrita (como agora). Acontece que escrevi um livro e tenho mais uns quantos para escrever.

Outra coisa que me afasta de me assumir como escritora é o assustador e mui real síndrome do impostor.


Calha que isto, sendo um bocado parvo, é assustadoramente real. E eu padeço disto mas assim mesmo à grande. Reparem: conscientemente, eu sei o que escrevo e como escrevo. Inconscientemente, acho que não sou boa o suficiente, que vou defraudar expectativas e que não estou ao nível que era suposto estar. E isto não é verdade.

Portanto, sem merdas: eu sou escritora. E, caramba, isto é tudo o que eu sempre quis ser! 

(Agora falta-me viver DE e PARA escrever. Mas isso são outros quinhentos...) 

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