Apocalipse Now: the war zone

março 18, 2020


Nota prévia: eu vivo num gueto onde acontecem coisas como tiroteios e homicídios. Just another day at the office todo o ano, portanto. (Vá, eu até moro na parte boa do gueto e só fui assaltada uma vez - saldo menos um euro e cinquenta e um cêntimos - e nunca fui baleada nem esfaqueada. Hurray.)

Na minha rua, aqui à vista da minha janela, há todo um mundo de sítios onde ir: cafés (2), farmácia (1), papelaria (1), mercearia (1), centro de estética (1), talho (1), restaurante (1), churrasqueira (1). Neste momento, há fila para a farmácia e para a papelaria. As esplanadas dos dois cafés estão reduzidas a duas mesas (e são mais duas mesas do que o necessário, em ambos os cafés).

Acho que as pessoas ainda não processaram bem o que é que "isolamento social" significa. Claramente, não significa ir para a esplanada do café, de luvas calçadas, fumar cigarros a 30cm da amiga que vai bebendo café (vi esta ontem). Significa basicamente o que já todos fazíamos e nem sequer nos obriga a grande isolamento, na verdade. Basta estarmos fisicamente sozinhos, mas podemos estar virtualmente ao monte. Como de há uns anos para cá, onde convivemos mais em grupos de Whatsapp do que na vida real, se virmos bem as coisas.

Por aqui, contactos apenas com os meus filhos (isto ainda não parece a casa do Big Brother, ainda não me apeteceu pendurar nenhum da janela e não, não estou movida a happy pills), com o namorado e com o meu pai, que anda a ver se me salva a máquina de lavar roupa.

Estou a trabalhar em casa desde quinta-feira, dia 12. Saí na sexta e não voltei à rua. Ainda não comecei a hiperventilar nem a sentir-me sufocada, o que é estranho, na verdade. Lido bem com isto de estar trancada em casa - eu sou bicho-do-mato e adoro o meu ninho, sabiam?, mas adoro ir ali apanhar ar e beber um café na rua. Calha que reforcei o stock de cafés, incluindo cápsulas, café instantâneo (olá, anos 80 e mexer uma colher de café com meia colher de água, de maneira a fazer espuma) e cappuccino. Serve bem. Também aprendi a fazer o chá que tenho adorado beber (chá preto, gengibre, cravinho, pimenta preta e cardamomo) e vou intercalando. Estou a seguir o horário que estipulei para nós e só engordei 300gr (ainda), culpa das línguas de veado que tentei fazer para o meu filho mas que, por ter lido 0,5l em vez de 0,5dl de leite, acabaram transformadas em queijadas - bem boas, por sinal. 

Aproveitei o fim-de-semana para ver duas séries da Netflix (The Stranger e Safe) e já estou a ressacar. Andei aí meio a patinar com horários de treinos e já percebi o que funciona melhor para mim: de manhã cedo, antes de eles acordarem. Assim, ao fim do dia deixo o espaço e o material para o homem, que continua escravo lá do estaminé onde trabalha.

E é isto. Ah, mentira! Falta acrescentar o seguinte: voltei a escrever. E não estou a falar deste post...

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