A regra de ouro dos escritores

junho 29, 2020



Ponto prévio: o meu maior defeito é ser perfeccionista a ponto de me auto-sabotar. Sou daquelas que acha que, se não for para fazer excelente, nem vale a pena começar. E o que acontece muitas vezes é que este pensamento acaba por me bloquear e por me impedir de fazer inúmeras coisas. 

Aprendi à custa de muito suor a regra de ouro dos escritores: não editar nada antes de terminar de escrever. 

Como assim?

Então, quando comecei a escrever o meu livro, perdi horas infinitas a rever o que já tinha escrito. Imaginem: escrevia uma página, relia, mudava coisas, lia novamente, mudava mais coisas, voltava a ler e a mudar coisas. Quando achava que aquilo estava como eu queria lá avançava. Escrevia mais uma página e... voltava a rever do início e a mudar coisas e por aí adiante. Ou seja, passei meses a dar um passo à frente e dois atrás.

A culpa disto era do tal perfeccionismo. Para mim, só a excelência importava. E isto não mudou. O que mudou foi a maneira de lá chegar.

Aprendi por mim mesma que era parvo estar constantemente a voltar atrás. Acabava por me estar a bloquear e nada de bom poderia sair dali. Ouvi quem sabe muito mais disto do que eu e o conselho foi sempre o mesmo: escrever primeiro, rever e editar depois.

Quando apliquei isto, a minha escrita fluiu muito mais solta. Avancei na história, deixei de estar a tropeçar sempre nos mesmos pontos que ainda não estavam como eu queria. E depois, quando terminei, passei cerca de um ano a fazer revisões. E, se ainda não tivesse entregado o livro à editora, continuaria agora a fazer revisões. Porque um livro é um ser vivo que tem sempre margem por onde crescer. Há sempre um pontinho qualquer que poderíamos fazer diferente e, com isso, mudar o curso da nossa história. Mas não vale a pena lutar contra isto.

Sinto que muita gente acaba por não se dedicar a escrever o que quer porque sente que aquilo não vai estar como imaginaram. Provavelmente não vai, mas isso trabalha-se depois. De início, o importante é produzir texto e deitar cá para fora a história, seja ela qual for (ou o artigo científico, ou a reportagem, o que for - esta regra é válida para toda a escrita). 

Portanto, se querem escrever, escrevam. Sentem-se e escrevam. Preocupem-se com os melhoramentos no final. no final. Não é a meio, não é quase no fim. É depois de terminarem. Uma coisa é passarem duas semanas sem escrever e irem reler as últimas páginas, para saberem em que ponto ficaram. Outra, bem diferente, é sentarem-se de caneta vermelha na mão a riscar e a escrever por cima. 

Não sejam agentes de entropia na vossa escrita. Deixem que as palavra fluam. E no final, aí sim, releiam tudo, corrijam gralhas, erros e incongruências. Percebam que escrever e editar são dois processos diferentes, que acontecem em tempos diferentes. E não deixem que o perfeccionismo vos impeça de deitar cá para fora uma história incrível que ficará ainda mais incrível no final, quando limparem tudo e puserem o vosso texto a brilhar.

(Nota de rodapé: este post foi escrito de uma assentada e revisto só no final. "Practice what you preach"!)

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