Estes Dias | 3
julho 01, 2020Era uma terça-feira, dia que Alzira dedicava a limpar o pó à sala. Esta tarefa levava-lhe o dia todo, por conta das colecções de elefantes, macacos e patos de loiça e dos dois serviços de copos de cristal que nunca usara mas que mantinha em exposição.
Seria perto do meio-dia quando ouviu um barulho inesperado na escada. Aproximou-se da porta e espreitou pelo óculo, mas não conseguiu ver nada. Ficou à escuta. O barulho continuou, primeiro indecifrável depois afinal pedidos de ajuda na forma de gritos abafados. Não reconheceu a voz. Percebeu que não seria nos patamares mais próximos, portanto, seria mesmo à entrada ou lá em cima, junto ao terceiro andar.
A curiosidade não era uma característica que Alzira tivesse. Mas a sua educação judaico-cristã impedia-a de prosseguir com a limpeza dos bibelôs, ignorando o desespero alheio. Abriu a porta.
Abruptamente, Esperança apareceu-lhe no patamar, o cabelo desalinhado, os pés enrolados um no outro, o fôlego há muito perdido. Empurrou Alzira para o lado e entrou de rompante.


2 comentários
Agora tenho de esperar UMA SEMANA para saber o que aconteceu à Esperança!
ResponderEliminarA amar esta tua "novela"! :-)
ResponderEliminarObrigada!