Escritores em apuros #2 - Marcas e Referências

setembro 10, 2020

 


Há uns dias, em conversa com a Susana, uma jovem escritora que está agora a trabalhar no seu primeiro livro, ela perguntou-me se podemos mencionar marcas e referências verdadeiras nos nossos livros. Conversámos um bocadinho sobre isto e eu achei que era um bom tema para cristalizar por aqui. Vamos a isso?

Portanto, quando escrevemos um livro, podemos referir marcas livremente? 

Confesso que não encontrei nenhuma regra explícita aplicável em Portugal, portanto a minha resposta a isto é intuitiva e baseada no bom senso.

Em primeiro lugar, devemos perguntar-nos se o comum mortal conhece as marcas que vamos referir. O exemplo que a Susana me deu, na nossa conversa, foi o de um medicamento muito específico. Apontei-lhe este detalhe: talvez a maioria das pessoas não faça sequer ideia de que medicamento é aquele. E, sendo assim, será que vale mesmo a pena referir a marca ou bastará uma referência ao princípio activo ou a para que serve o medicamento? 

Todos sabemos o que é o Ben-U-Ron. Mas bastará falar em paracetamol, se for caso disso. Nem todos sabem o que é a Sinvastatina, por isso, se calhar é melhor dizer que "o indivíduo tomou o comprimido do coração" que, sendo uma coisa simplista, nos diz que haverá naquela personagem uma qualquer condição cardíaca que torne necessária a toma de medicação. O leitor fica com a informação básica, mas não precisa de nada mais aprofundado e a leitura segue.

A referência a marcas nunca deve ser feita de forma pejorativa (a não ser que queiramos viver as emoções de um processo em tribunal) - e isto é puro bom senso, não é preciso um doutoramento em linguística clássica para chegar a esta conclusão.

Agora, há marcas que são absolutamente incontornáveis e que, servindo para caracterizar épocas, pessoas ou locais, podem ser referidas. A Coca-Cola, um Ferrari, um Ferrero Rocher, por exemplo, são marcas tão enraizadas na nossa cultura que não me parece que venha grande mal ao mundo se forem referidas sem sentidos negativos. 

Se quiserem escrever "mal" de alguma marca... vão à volta. Um refrigerante à base de cola, um carro de alta cilindrada vermelho, italiano, um chocolate de avelã que só se vende no Natal... são referências que permitem que o leitor saiba do que é que estamos a falar, mas que não comprometem o autor.

Como em tudo, o bom senso costuma ser uma boa bússola. Usem-no. E escrevam MUITO!!

You Might Also Like

0 comentários

Obrigada!

GoodReads Challenge

2020 Reading Challenge

2020 Reading Challenge
Lénia has read 29 books toward their goal of 40 books.
hide

Instagram

Parceria

Subscribe