-->

Páginas

16 fevereiro 2011

Apaixonei-me!

Coisa simples, porém complexa. Quando menos esperava, apaixonei-me. Peguei-lhe por acaso, numa de "vamos lá desanuviar". Aquilo entranhou-se-me na pele imediatamente. Trepou imediatamente ao nível dos melhores. Dos melhores dos melhores. Os meus melhores, bem entendido.

Deixemo-nos de merdas. Estou a falar de quê? De um livro. De um escritor, na verdade. Porque, apesar de ser o primeiro livro dele que leio, é impossível que os outros que ele escreveu não partilhem desta qualidade.

João Tordo, "O Bom Inverno".

Acontece-me de vez em quando (porque só leio mesmo o que me interessa e pesquiso tudo o que é livro): deparar-me com um autor que me enche as medidas. Já se sabe: lusos, eram dois - Saramago e José Luís Peixoto. Passa a três.

Sobre "O Bom Inverno" propriamente dito: escrita escorreita, diálogos geniais, ritmo, bem estruturado. Não é uma xaropada, de todo. É, na verdade, fenomenal.


Cenário do inferno

Cenário: rua mais ventosa do país (a minha). Miúda agarrada ao chapéu de chuva, a tentar não levantar voo. Miúdo no carrinho. Mãe a empurrar o carrinho, a segurar a miúda pela mão, com um chapéu de chuva entalado entre o queixo e o ombro. Mãe ensopada. Miúdo sequinho, a dormir. Miúda a saltar nas poças de água (muito adequado, adoro). Chegamos ao carro e começa o dilema: qual deles vai ser o primeiro a entrar? Ela. Sobe para dentro do carro sozinha, senta-se na cadeira dela sozinha e fica à espera que eu vá fechar-lhe o cinto de segurança. Fecho o meu chapéu de chuva (que atrapalha mais do que ajuda), pego no ovo, ponho-o no carro. Volto ao carrinho, tiro os sacos, fecho-o e ponho-o na bagageira. Vou fechar o cinto à miúda. Entro no carro, não sem antes levar com um jacto de água, cortesia de um condutor veloz. Respiro fundo. Já passou...


15 fevereiro 2011

Gestão

O mais difícil de gerir nisto de ter dois filhos pequenos é o casamento entre os silêncios de um e os ruídos de outro.

Durante o dia ele dorme, ela faz barulho, eu ralho com ela para ela não fazer barulho.
À noite ela dorme, ele chora, eu pego-lhe ao colo e tento adormecê-lo para ele não fazer barulho.


Thirty-something

A última vez que fiz uma festa de anos como manda o figurino foi nos 27. Há 5 anos, portanto. Tinha acabado de fazer a minha tatuagem, tinha saído de uma relação de merda (na verdade tinha levado um brutalíssimo par de cornos), tinha resolvido comigo a questão dessa separação e sentia-me no topo do mundo. Tratei de tudo: convite personalizado, restaurante escolhido a dedo, tema. Foi um jantar óptimo, uma festa como eu queria. E foi a última.

No ano a seguir estava a ressacar do fim de outra relação (que acabou 4 dias antes dos meus 28 anos). No outro estava num patamar completamente diferente, com uma filha com dois meses. Depois idem. Depois a mesma coisa. Este ano...

Já nem sequer penso em festas de anos. Tento que o meu dia de aniversário seja meu. No ano passado tirei o dia de férias e aproveitei a sesta da miúda em casa da minha mãe para ir ao cinema. "Whatever Works", Woody Allen. Este ano peguei na mãe e nos filhos e fomos almoçar fora. Onde? Ao Dolce Vita. Não foi exactamente à minha medida (que teria ido enfiar-me no cinema a ver o "Black Swan"), mas foi à medida da minha vida agora. À noite os meus pais vieram jantar connosco e foi isto.

Depois insistem em perguntar-me se já recebi muitos presentes. Resposta: não, nenhum, zero. Este ano, por exemplo, a minha mãe trouxe-me nesse dia umas pantufas que já me tinha comprado há que tempos, porque lhe pedi que me comprasse umas quando as visse. O meu marido ofereceu-me um livro que eu escolhi, comprei, paguei, embrulhei e guardei no armário até ao dia 11. Ele não fazia ideia de que livro era, ficou a saber quando eu disse que ia buscar o presente dele para mim. Se isto me chateia? Não, nada. Porque as minha expectativas são nulas. Já sei que o meu marido não me oferece presentes. Não tem tempo para ir comprar, não sabe o que comprar, não compra nada. Antes de ele ter este trabalho (que eu odeio) tinha tempo, fazia questão. Agora não. Também isto mudou ao nossos 30. É a vida. Podia ser melhor? Podia. Mas também podia ser tão, mas tão pior...

E é isto: aos 30 deixei de ter expectativas. Aceito o que a vida me dá, corro atrás do que quero. Mas não conto com nada à partida, não tomo nada por garantido. Porque nunca se sabe...


Maternidade (em HD)

 Confesso: nunca pensei dizer isto. Sim, é preconceito, mas acho mesmo que a ficção lusa anda a anos-luz da americana e da britânica. Falo de séries, não de filmes. E nunca pensei dizer isto. Há uma série portuguesa que A-D-O-R-O. Chama-se "Maternidade". Passa-se num hospital privado e retrata a maternidade, claro.

O problema das séries (e das novelas) portuguesas começa num ponto: nos guiões. Este, não sendo brilhante, não é horrível. Há temas que podiam ser mais bem explorados, mais aprofundados, mas não está mal. Não é uma série médica, é uma série sobre relações humanas que se passa num hospital, pelo que acho que demasiado aprofundamento técnico é escusado.

O segundo grande problema da ficção que se faz por cá são os actores. Qualquer pessoa pode ser actor desde que cumpra um de três requisitos: ser bonito, conhecer as pessoas certas, ir para a cama com as pessoas certas. Os actores que não são actores por terem preenchido um destes requisitos mas sim por terem talento raramente se metem a fazer novelas.

Acontece que o elenco de "Maternidade" é bom. Tem a Lúcia Moniz, que eu acho uma grande, grande actriz. Tem o José Fidalgo, que, além de ser giro que dói, é um excelente actor. Tem a Custódia Gallego que me caiu no goto depois do "Esquece Tudo o que te Disse", um filme fabuloso que vi há uns anos (português, que eu sou das que acha que há bom cinema português).Tem o Alexandre Sousa, que é um guilty pleasure do caraças...

E a série não mete família nova rica e queque versus família de pescadores/agricultores/whatever, nem homicídios manhosos nem morangadas afins. Fala só de pessoas, de sentimentos, de medos, de conquistas. Não é uma Anatomia de Grey, nem é suposto. Mas é boa. E dá aos domingos ao final da tarde no canal HD da RTP. Recomendo mesmo!

Une merde!

Miúda doente. Conjuntivite e constipação. Tosse cavernosa de noite, nariz entupido, rouca de tanto tossir. Eu na mesma: constipada. Resultado: o pequeno rapazola engordou apenas 80gr esta semana, versus os 330grda semana passada. O pediatra acha que é da minha constipação. Tenho duas semanas para provar o que valho, enquanto leiteira. Tudo bem. E espero mesmo que ele recupere, que não me apetece nada começar a dar-lhe leite de lata.



13 fevereiro 2011

Eternizar

Há fotos do mais novo em três máquinas. Não há foto nenhuma ainda nos computadores. Ainda não descarreguei nada. Não organizei nada. Está para breve. Isso e as caminhadas/corridas. E os assuntos pendentes. E os filmes por ver. E o Mad Men e os Tudors. Tudo coisas procrastinadas ad aeternun. Vai acabar. E de caminho também vou acabar de organizar o meu álbum de casamento.

E consegui reproduzir o meu bolo de casamento. Não era expectável, não foi tão fácil como podia parecer. Mas consegui. Quando sacar as fotos do miúdo também saco as do bolo. E partilho, claro (as do bolo, bem entendido).


08 fevereiro 2011

Returning to myself

Pois que tenho o roupeiro cheio de jeans. Circulam (figurativo, obviamente) por lá dois pares que são os da vergonha: aqueles dois pares de calças em que eu tenho vergonha de não conseguir vestir. Mas são também os pares de calças-objectivo: quando couber neles dou por terminada a guerra de voltar ao meu peso anterior às gravidezes.

Isto não é assim uma coisa que me ande a obcecar. Mais: estou muito contente com o que vejo ao espelho. Estou como estava antes de engravidar agora, mas, como é lógico, natural e humano, tenho uma barriga que não me agrada. Pudera: 9 meses de músculos distendidos não se invertem em três semanas. Mas para lá caminho. Desta vez noto-me muito diferente do pós-parto da minha filha. Nessa altura as dores eram tantas que cada centímetro do meu corpo clamava por cama, sofá, descanso. E foi por isso que ganhei peso a seguir. Agora não. Ando, mexo-me, faço tudo como se não tivesse tido uma criança. E, talvez por isso, a minha auto-estima anda por valores aceitáveis. Sinto-me bem comigo e isso é altamente motivador.

Isso e o facto de ele ser lindo, sossegado e um doce. Não podia ter pedido melhor!


01 fevereiro 2011

Decisões

Já deixei de dar dinheiro a ginásios. Chega de pagar por coisas de que não usufruo porque me dá a preguiça, a falta de tempo, a falta de motivação, a falta de juízo, no limite.

Eu sou uma inapta física crónica. Não adianta. Não nasci para andar aos pulos, não fico em êxtase por saber que amanhã é dia de ginásio (era, quando eu pagava para ir). Ok, houve uma altura em que ia assiduamente às aulas de RPM, que adorava. E quanto mais ia, mais queria ir. E era raro baldar-me. Mas aquilo mexia-me com as horas de almoço. E mudei de escritório, portanto o ginásio ficou, literalmente, para trás. E ao pé do novo escritório a única coisa que descobri foi um Vivafit. Nada contra, mas até ir lá bater ainda tenho muito chão para correr.

E é isto: quero correr. Quando acabar o meu recolhimento obrigatório (ou seja, quando tiver autorização médica para me mexer) quero começar a correr. Devagar, como deve ser, com um programa em condições, daqueles que põe uma estaca (eu) a correr 5 ou 10k. Se os do Biggest Loser conseguem, eu também consigo.


Semelhanças

A minha filha poupou-me a depressões pré e pós-parto. Não tive um dia em que me sentisse a pessoa mais miserável à face da terra. Não sei se foi por ela ter sido uma bebé fácil ou se foi por eu não ser dada a estados depressivos.

O meu filho, até ver, tem-me poupado a depressões pré e pós-parto. Por enquanto, é um bebé calmo, que come, dorme e pouco mais. Chora para mamar e com o alerta fralda suja. Mais nada. Está muito diferente de quando nasceu. Continua a ser uma cópia fiel do pai, mas está bem mais bonito, com um ar menos "Smeagul", menos alien, do que quando nasceu. Mais gordinho. Já recuperou o peso com que nasceu, o que atesta a qualidade do material materno (e a sofreguidão da criatura).

Estou feliz. Não estou cansada por aí além. Estou à espera que ele faça um mês (ou ande lá perto) e que passe este frio nórdico para começar a mostrar-lhe aquilo de que o mundo é feito.