Hoje estou na Casa da Gorda. A Gorda (que é magra, não que isso seja relevante, mas achei que devia dizer-vos que não podem acreditar em tudo o que lêem because... aldrabices!) entrevistou-me. Além de ter estado largos minutos a rir à gargalhada sozinha, no carro, ainda deu para me pôr a pensar um bocadinho. Vão lá ler, vá.
Descobri, há coisa de dois, três anos, que perder peso é uma questão de cabeça. De mindset. Quando meto na cabeça que a coisa vai... vai mesmo. É o caso agora. Depois de ter passado o ano de 2017 entre os 55 e os 58kg, deixei-me estar e cheguei a 2019 com 64kg. Esta não sou eu. Eu sou muito mais do que os números que aparecem na balança, mas não me reconheço neste corpo revestido de boneco Michelin. Não me comparo com ninguém - sei que há pior e melhor mas... não quero saber, não me diz respeito, não é essa a minha guerra. A minha luta é comigo. Decidi que já chegava. E que chegava de uma data de coisas associadas a este aumento de peso que, obviamente, não aconteceu do ar.
Andei super desleixada com o ginásio, a usar todas as desculpas para não ir treinar. Ou porque estou cansada, ou porque me atraso, ou porque a Lia não pode ir. Na semana passada, treinei seis vezes. Tenho os meus planos de treino feitos de acordo com o meu objectivo e a chave é a consistência. Mesmo. Não há milagres, nem há excepções à regra.
Desisti de esperar pela Lia para ir treinar. Vou sozinha, já nem aviso, já nem pergunto. Nada. Para não cair na tentação de embarcar num barco que não é o meu. Organizei o meu tempo de maneira a conseguir treinar sem prejudicar ninguém. Vou, meto os meus phones, ponho a minha música a tocar, faço o que tenho a fazer. Por norma, são 20 minutos de cardo intenso e 30 minutos de musculação, que é mais ou menos o tempo que demoro a fazer os quatro planos diferentes que tenho montados (um plano para cada dia de treino, bem entendido).
Apesar de saber mais ou menos o que posso e não posso comer, em termos de qualidade e de quantidades, senti necessidade de controlar isto de maneia apertada, nesta fase. Isto implica balanças. Peso a comida, mas permito-me comer coisas que não pesei e que é um "mais ou menos". Sem problema, porque tenho marquem para isso. Voltei ao jejum intermitente, mas não estou a fazer 16 horas d jejum diário, ainda. Nem sei se as farei, na verdade. Tenho feito entre 12 e 14 horas, conforme posso e conforme tenho ou não fome (agora, por exemplo, estou há 13 horas sem comer e ainda não me deu a fome, por isso continuemos).
Andava numa luta com a água. Havia dias (principalmente ao fim de semana) em que não bebia mais de meio litro. Resultado: retenção de líquidos, obviamente. Neste momento, estou a beber cerca de 4l por dia. Sem esforço nenhum. Arranjei uma garrafa de onde não me custa nada beber (e isto tem TUDO que ver com engenharia e com a forma como a água sai com mais ou menos esforço da minha parte, e esta garrafa é perfeita para isso) e arranjei estratégias. A garrafa é de 600ml. Bebo uma entre casa e o trabalho, logo de manhã. Encho quando chego ao escritório e bebo outra até ao almoço. Mais duas ou três durante a tarde, mais uma durante o treino e a última à noite, em casa. Passo a vida a caminho da casa de banho. E? Qual é o problema? No meu caso, até é bom para me mexer, porque a casa de banho é na outra ponta do escritório e isto evita que passe horas a fio sentada.
Resultado disto tudo, ao fim de uma semana: um quilo e meio já foi. Ainda tenho um longo caminho pea frente, até aos meus 58kg e até aos meus 20/22% de massa gorda. Mas, como disse lá em cima, a chave é a consistência. E se isto implica almoçar atum e pepino na praia, pois que seja. O que é facto é que, mesmo assim, durante a semana passada ainda deu para comer coisas como bolo de aniversário, gelado e estrelitas. Equilíbrio é fundamental. E não, não estou numa cena radical, a comer só alfaces. Bem longe disso. E o que é facto é que isto, comigo, resulta. Portanto... continuemos.
Os próximos tempos avizinham-se giros, aqui para a menina. Está tanta coisa boa para estrear que vai ser ver-me enfiada em salas de cinema assim... muito! Para começar, estou super ansiosa para ver este:
Zac Efron no papel de Ted Bundy? QUEROOOO!
Além deste, assinalei mais dezassete que quero ver. Problema: tudo a estrear durante o mês de Maio... Vai ser bonito, não vai? (Conforme for vendo vou falando deles aqui. O costume, portanto.)
Zac Efron no papel de Ted Bundy? QUEROOOO!
Além deste, assinalei mais dezassete que quero ver. Problema: tudo a estrear durante o mês de Maio... Vai ser bonito, não vai? (Conforme for vendo vou falando deles aqui. O costume, portanto.)
Eu sou aquela pessoa que se mete em tudo, cheia de entusiasmo, mas que rapidamente se farta de tudo (basicamente porque deixo de sentir a adrenalina do desafio, começo a ficar entediada e sigo caminho - blame it on the zodiac... sou aquário, não é suposto estar muito tempo parada).
Em Janeiro, meio do nada, comecei a usar um Bullet Journal. Para quem não está familiarizado com a coisa, aquilo é basicamente um mix de agenda e diário, absolutamente maleável, que cada um constrói à medida das suas necessidades. Desde que me meti nisto, descobri várias coisas.
A primeira é que afinal gosto de desenhar. Sou das que decora o BuJo (este é o nickname fofinho da coisa), que faz tudo bonitinho, que põe washitape e autocolantes - uma pirosada só... mas que me relaxa imenso. Aprendi a fazer aquele lettering (continuo à guerra com o q, o k, o s e o g, mas com calma e com prática isto vai lá) e gosto mesmo muito de explorar este lado mais artsy.
Depois, descobri que enquanto estou de volta daquilo o mundo lá fora é um lugar estranho e muito, muito distante. Desligo completamente. O que nenhuma meditação e nenhum yoga conseguiu fazer por mim, foi fácil, fácil com o BuJo. Desligo de tudo. Fico só ali, entre rabiscos e planeamentos e é como se não houvesse mais nada que me preocupasse.
Outra coisa que o BuJo me trouxe foi a consolidação de alguns hábitos (e noutros... não há BuJo que me valha!). Uma das coisas que é habitual fazer no BuJo é um Habit Tracker. Isto permite ter uma noção do que fazemos (ou não) durante o mês. Ora, eu tinha o péssimo hábito de ser altamente negligente com a minha pele. Deitava-me com maquilhagem 90% das vezes, era raro pôr creme de noite, o creme de dia era quando calhava. Pois que ando certinha nisto desde o início do ano. E tratar da minha pele tornou-se um hábito diário como outro qualquer.
Outra coisa que é a desorientação total, para mim, é o sono. Portanto... toca de criar um Sleep Tracker também. Todos os dias anoto a hora a que me deito e a que acordo e quantas horas dormi. Isto permite-me saber que, por exemplo, em Abril dormi 218,5 horas e que a média por noite foi de 7,28 horas (vivam os fins-de-semana dormir até tarde e a fazer sestas, para compensar o escasso sono durante a semana!). Em Fevereiro, por outro lado, dormi apenas 183 horas, portanto, uma média de 6,5 horas por noite. Fraco, muito fraco. Mas em Março, que foi assim o paraíso do sono, para mim, dormi 281 horas, o que dá 9,06 horas de sono médio diário. Nada mau, para quem tem vida e tudo!
Outra coisa que gosto de ter em atenção é o meu mood diário. Vejam o mês passado...
Em Abril, só tive meia dúzia de dias assim meio nhec. Os outros foram todos dias bons. Foram mesmo. Sinal de que estou em paz comigo, apesar das chatices pontuais. E sinal de que, apesar de tudo, consigo ser feliz e estar bem comigo, mesmo quando o universo não conspira a meu favor.
A fechar: habituei-me a escolher um tema por mês. Isto faz com que tenha um código de cores que uso e que mantém tudo bonito. Depois vou adaptando o resto conforme a coisa vai correndo. Um exemplo: comecei o ano a usar duas páginas por semana e apercebi-me de que sobrava imenso espaço em branco. Não preciso de desperdiçar, portanto passei a fazer cada semana numa só página. Depois há umas páginas que mantenho mensalmente: os trackers, uma página com o resumo do mês, outra com uma frase ou uma palavra por dia, que servem para me pôr a pensar na vida. Tenho ainda uma página onde ponho as coisas em que me quero focar durante o mês - em Maio, por exemplo, é isto:
Para Maio, escolhi este tema e estes tons de azul:
Quem daí usa este sistema?
Se há coisa de que nunca tive medo é de mudar. As mudanças não me assustam nada. Pelo contrário. Gosto da adrenalina do desconhecido, gosto de me descobrir nas mudanças que vão acontecendo na minha vida. Aprendo sempre qualquer coisa sobre mim. Depois, há mudanças que se cristalizam e outras que têm um tempo de vida mais curto. E mudo novamente, sem medos, sem me assustar.
Em Setembro, deixei de comer carne. Senti que não precisava daquilo para viver - e não preciso. Mas preciso daquilo para viver melhor. Este fim-de-semana perdi algum tempo a rever os últimos seis meses da minha vida - desde Setembro, portanto. Entre tempo perdido e aprendizagens várias, tenho alocados nas ancas mais quatro quilos. E sim, tem que ver com o fact de ter deixado de comer carne. A saciedade que eu tinha com os bifes de frango foi compensada com coisas muito mais calóricas. E, aos poucos, eu mudei. E não gosto do que vejo. Sinto que, sem a carne, acabo a fazer escolhas péssimas, que se reflectiram num aumento de peso e de massa gorda. Não gosto NADA disto. E não quero isto para mim. Portanto, o frango volta à minha roda alimentar. Sem dramas.
No fim-de-semana, comi duas refeições de peito de frango grelhado... e a sensação que tive a seguir foi esclarecedora: saciada, sem fome ao fim de meia hora, sem necessidade de comer massa e arroz em barda. Pode ser impressão minha? Pode. Mas, para já, fica assim. Principalmente em dias de treinos mais intensos, é possível que haja carne, sim. Estes seis meses ensinaram-me a cozinhar alternativas vegetarianas, que vou continuar a comer. Mas quero mesmo voltar a sentir-me bem comigo e, portanto, siga para bifes.
Ah e tal, o que é que vais almoçar? Uma massa com cogumelos shitake e marron que está assim qualquer coisa de fenomenal. Sem carne, portanto.
Fez esta madrugada um ano que, para aí com duas horas de sono em cima, arranquei a pé para Fátima. Há um ano, por esta hora, já com vários quilómetros nas pernas, devia estar a chegar a Carenque ou coisa que o valha. O meu joelho direito aguentou 25 quilómetros, até à hora de almoço. Fiz mais cinco de lágrimas a caírem-me pela cara. Na minha cabeça, a promessa que fiz pela minha mãe que, por sorte, pela medicina ou por Deus, depende daquilo em que acreditarmos, continua cá, sem sequelas, sem grandes efeitos secundários do aneurisma rebentado e do outro que foi isolado e ainda lá está - não tem mais do que sonos trocados e umas dores de cabeça de que eu não gosto nadinha.
Disto tudo, ficou a promessa cumprida conforme pude. Ficou a certeza de que nunca mais na vida me meto em nada parecido. Ficou a certeza de que me falta acreditar. Ficaram as perguntas por responder. Ficou a mágoa com coisas que me foram ditas, como se ter rebentado um joelho fosse uma coisa fixe, que eu queria muito e que me safou de fazer 150km a pé, para conseguir fazer apenas cerca de metade. E ficou o dito joelho rebentado durante meses, as dores, a impossibilidade de reinar como eu gosto, de fazer a minha vida sem aquilo me doer constantemente. Já melhorou, quase não dou por ele (só se abusar mesmo muito ou se, inadvertidamente, puser mal o pé em algum movimento que faça).
Continuo a gostar de ir a Fátima. Mas não preciso que digam o que devo fazer, como devo falar ou o que devo sentir. Continuo a ter a minha relação com Deus (ou seja lá o que queiramos chamar-lhe). Continuo a achar que esta tem de ser uma relação fechada, entre cada um de nós e aquilo em que acreditemos. Tudo o resto, dispenso.
O dia das mentiras é todos os dias. Quando dizemos que estamos bem e estamos a morrer por dentro. Quando dizemos que não faz mal não termos os abraços que nos fazem falta como combustível. Quando fingimos não ver o fim da conta bancária. Quando deixamos para amanhã aquela mensagem, aquele beijo, aquele mimo. Quando insistimos em pôr toda a gente à nossa frente na nossa lista de prioridades. Quando dizemos que somos felizes naquele casamento que morreu há anos. Quando adiamos os nossos sonhos. Quando desistimos de nós.
Mentimos todos os dias. Mentimo-nos todos os dias. E estas mentiras são sempre o nosso carrasco. Porque nunca seremos felizes a não ser que limpemos todas as ilusões e sejamos absolutamente honestas connosco próprias. Vai doer. Vai doer muito. Mas, depois disso, muito pouca coisa será capaz de nos abalar as estruturas.









